segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Imortal

Quem sabe eu seja imortal
E o tempo se desdobre em mim
Num único e derradeiro golpe fatal?

Quem ousará dizer que não sou assim?
Pois pra mim quando eu me for tudo se acabará
Num ponto final
E nada mais haverá depois que eu partir

Aproveito enquanto posso
E aconselho à todos fazer o que faço
Pois depois que eu morrer tudo pode se acabar
Para mim e pra você

O sol não mais brilhará
A chuva não mais cairá
As mulheres não mais me excitarão
Nem tampouco irão exalar o perfume do mistério

O telefone permanecerá em silêncio
Não adiantará me ligar
Eu não estarei mais aqui para atender
E ninguém mais irá me encontrar
Nem terão notícias minhas
Novidade alguma haverá

O tempo não mais estará contra mim
Não haverá orgulho
Nem palavras ao vento
Nem arrependimentos

A vida & a morte serão uma só
O corvo de Poe nunca mais falará
O grande leão para sempre dormirá
E eu não serei mais o rei dos animais

A solidão não mais me castigará
O destino não mais minha cabeça martelará
A poesia morrerá
E a chama do farol se apagará

A carne crua
A tarde acinzentada
A noite nua
A alma lavada

As cores do som da alegria do verão
Os melhores filmes vistos & revistos
A arte no espelho da vida vasta ou breve
Os filhos gerados & as mulheres pouco amadas

Como ouso dizer que sou imortal
Se há muito já existe a pólvora e o mau motorista?
Mas me aquieta o coração
Saber que talvez tudo termine num adeus sem o gosto da saudade
Ou da marginalidade...


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