Descera do ônibus em cambaleante sofreguidão
Com apenas seu velho violão em sua mão
Vendera sua alma ao diabo e seu coração à muito fora posto á leilão
Claro que em vão!
Não era preciso conhecê-lo à fundo para saber que não valia um tostão
Vários anos já haviam se passado desde sua última excursão
Talvez ele já não tivesse mais nada à dizer (nem por educação!)
Mas por insistência de seu imenso ego ainda compunha uma ou outra canção
De amor, ódio, preguiça ou superstição
Com velhas e repetidas rimas usadas até a exaustão
Entre as pernas de uma prostituta deixara seu mais recente salário
E de patrão à escravo do sistema pendurara suas pretensões num armário
Era preciso mais do que a miséria absoluta para fazê-lo mudar de vida
E disso ele não abria mão por ninguém : drogas, jogatina e bebida
-Mas quem se importava! ele pensava...
Bateu com a cara num poste e deixou seu nome com sangue assinado nas ruas do centro
Morrera ali onde tanto pregara por um falso sentido de liberdade noite adentro...