segunda-feira, 24 de junho de 2013

Aquela Aranha

Aquela aranha
Aquela aranha
Aquela aranha
Aquela aranha...

Desenhada
Na parede
Do banheiro
Aquela aranha...

Imóvel
Desde que a vi pela manhã
Até chegar em casa à noite
Aquela aranha...

"Não há cura para o amor"
Os heróis de ontem cantam hoje
Uns para os outros
Bebendo vinho barato

O alicate é minha caneta
Com ele escrevo pelas paredes da indiferença
Eu lhe avisei que não voltaria
Mas você levou adiante a sua traição

Eu não temi a avalanche de emoções
E você desapareceu com minha alma por um tempo
Eu a recuperei quando você morreu dentro de mim
Mas isto não pôs um ponto final naquela história mal-elaborada

A chuva cai dentro de casa
Queima meus aparelhos elétricos preferidos
Eu armo a rede lá fora
E durmo sob as estrelas cadentes

Eu procuro por um novo começo
Em bares, livrarias, academias
Em uma praia talvez viveria
Mas dezenas de vezes, o tédio quase acabou comigo

O inverno está no auge
É tempo de ouvir música lounge
E dormir com montanhas de cobertas
Mas há um frio que não se espanta jamais

O tempo passa rapidamente
Os dias cada vez mais curtos
Meu tempo parece estar se esgotando
E ainda não sei quem sou

Mas aquela aranha
Permanece lá
Imóvel
Sem nada pra fazer

Eu poderia matá-la com um só golpe
E nem sentiria remorso
Mas ela me diz tanto
Que acho que não poderia mais viver sem ela...

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