Já faziam muitos meses que Joelson Bruckfell queria convidar Nádia Romanoff para sair.Ele a conheceu na festa do 28° aniversário de um amigo em comum.E embora ela não tenha lhe dado mais atenção do que às demais pessoas que dividiam a mesma mesa daquele pub estilo irlândes, naquela noite ele achou ter encontrado a mulher da sua vida.
Romanoff era uma artista plástica de talento duvidoso de 25 anos que acabara de se formar e trabalhava como professora em uma escola de ensino de 1° grau.Era bonita, comunicativa e pintava seus cabelos de azul.
Bruckfell era um músico amador que ganhava a vida como garçom em uma churrascaria de 5ª categoria na zona sul da cidade.Já beirando os 30 anos, nunca foi do tipo popular entre as mulheres.Mas era esforçado e um romântico incurável.
Uma noite, depois de seu expediente, ele passou para tomar uma cerveja em um bar à caminho de sua casa.Era um desses botecos nos arredores de uma universidade bastante frequentado por estudantes.Enquanto solitariamente tomava pequenos góles ele tentava paquerar alguma garota à distância, quando reconheceu Nádia na outra ponta do balcão.Ela estava acompanhada de duas amigas e todas riam alto enquanto sussurravam entre si.Ao perceber as duas se ausentaram por um instante, provavelmente para irem ao banheiro, ele se aproximou dela todo sorridente:
-Oi, tudo bem?Lembra de mim?Nos conhecemos no aniversário do Alfredo à uns 2 meses atrás!
Ela já bastante embriagada ficou olhando para ele um tanto indiferente até responder:
-Hummmm!Acho que sim!Mas qual é o seu nome mesmo?
-Joelson!
-Ah, sim!É verdade!Me lembro de você!Tudo bem?
-Tudo!Melhor agora!Está sózinha?
-Não!Minhas amigas foram fazer xixi!
Ela começou à gargalhar sem parar e ele percebendo o quanto ela estava bêbada aproveitou a oportunidade para lhe pedir o mínimo:
-Você poderia me passar seu número de telefone para não perdermos contato?
-Claro!Anote aí!
Enquanto ele anotava as amigas dela voltaram e ele achou melhor se despedir:
-Ok, então!Nos falamos, Nádia!Se cuide!
-Até mais!
Assim que ele se afastou, uma de suas amigas perguntou para ela:
-Quem é esse cara?
-Sei lá!Ele disse que nos conhecemos em algum lugar!Mas não me lembro mesmo!
Alguns dias depois ele criou coragem e enviou a seguinte mensagem de seu celular para o dela:
"Olá Nádia, faz muito tempo que quero lhe convidar para sair comigo!E agora criei coragem!Vc estaria disponível na próxima sexta-feira? Beijos"
No que ela respondeu de imediato com outro torpedo:
"Quem é você?"
Sem pensar duas vezes, ele escreveu:
"Alguém que a ama"
E ela:
"Se for algum tipo de brincadeira, não tem graça nenhuma!"
Ele tratou de acalmá-la:
"Eu não brincaria com seus sentimentos.Que tal nos encontrarmos em algum lugar e conversarmos melhor?"
Ela pensou um pouco, mas não resistiu a sua própria curiosidade:
"Sabe onde é o Ashley Pub?Me encontre lá no balcão às 21h de sexta!"
Ele respondeu radiante:
"Estarei lá, amor!"
No dia combinado ela chegou para o encontro meia hora antes, sentou-se em uma das banquetas, pediu uma cerveja e ficou esperando por quem ela imaginava ser a pessoa das mensagens.Uns vinte minutos depois ele chegou e foi falar com ela:
-Oi Nádia!Tudo bem?
Ela sem se lembrar quem ele era, respondeu incomodada:
-Oi!
-Posso me sentar nesta banqueta em que está a sua bolsa?
Desculpe, mas estou esperando uma pessoa!
Ele sorrindo:
-Quem seria?
-Uma amiga!
-Sei!
-Cara!É uma coisa particular!O bar está cheio!Vá dar em cima de outra, ok?
-Não seria um encontro, seria?
-Sim, é um encontro!Pode me deixar em paz agora?
-Claro!Mas antes quero lhe mostrar uma coisa!
Ele pegou seu celular e lhe mostrou a última mensagem que ela lhe enviou marcando o encontro.Ela leu e furiosa gritou:
-Seu idiota!Quem é você?Como conseguiu meu número?
-Você me deu na última vez que nos encontramos!
-Cara, nunca te vi antes!
Ela pegou sua bolsa e saiu andando apressada por entre as pessoas que já lotavam o bar, falando baixinho para si mesma:
-Eu deveria saber que era bom demais pra ser verdade!Como fui achar que era a Sandra!Não adianta!Ela nunca vai sair do armário!...
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